Mobral: Uma Tentativa de alfabetização na década de 60




                      O Movimento Brasileiro de Alfabetização  – ou MOBRAL  – foi um projeto governamental brasileiro, criado pela Lei n° 5.379 em 15 de dezembro de 1967, o qual propunha a alfabetização funcional de jovens e adultos, visando a “conduzir a pessoa humana a adquirir técnicas de leitura, escrita e cálculo como meio de integrá-la a sua comunidade, permitindo melhores condições de vida”. Embora fosse uma proposta educativa, o Mobral era exclusivamente técnico, isto é, seus estudantes deveriam aprender “as letras” e os cálculos básicos, porém não haveria nenhum trabalho humanístico.Fora criado e mantido pelo regime militar.
                      Durante anos, jovens e adultos frequentavam as aulas cujo objetivo era proporcionar alfabetização e letramento a pessoas acima da idade escolar convencional. Com a recessão econômica iniciada nos anos 80, houve uma inviabilização da continuidade do MOBRAL, o qual demandava altos recursos para se manter. Seus Programas foram, assim, incorporados pela Fundação Educar.

Sua Estrutura:

                      A estrutura do MOBRAL foi descentralizada no sentido organizacional, uma vez que se subdividia em vários outros departamentos e propiciando o empreguismo característico das repartições públicas. A estrutura administrativa se organizava em 4 níveis:

  1.  A Secretaria executiva (SEXEC), 
  2. As Coordenações regionais (COREG), 
  3. As Coordenações estaduais (COEST) 
  4. e As Comissões municipais (COMUN).

                Seguindo esses macrocampos, a estrutura organizacional dividia-se, novamente, em:

  1.  Gerências Pedagógicas (GEPED), 
  2. Gerências de Mobilização Comunitária (GEMOB), 
  3. Gerências  de Atividades Financeiras (GERAF),  
  4. Gerências de Atividades de Apoio(GERAP) 
  5. Assessoria de Organização e Métodos (ASSOM) 
  6. e Assessoria de Supervisão e Planejamento (ASSUP).

       Essa estrutura foi alterada por três vezes entre os anos de 1970 e 1978, sempre criando mais cargos. Em 1973, só no MOBRAL central estavam alocados 61 técnicos de formação acadêmica. Neste corpo consta inclusive cinco técnicos de formação militar para uma suposta salutar visão multidisciplinar do problema.
      
Metodologia:

                    O método do MOBRAL não parte do diálogo, ou da reflexão, já que o mesmo concebe a Educação como investimento, a visar a Formação de mão-de-obra com uma ação pedagógica pré-determinada. O Mobral é conteudista e seus educandos são passivos e não co-construtores do saber. O momento pedagógico proposto é autoritário, porque ele (MOBRAL) acredita que sabe o que é melhor para o povo o qual deve ser educado para as profissões (demanda econômica) do país. Essa filosofia de atuação cria-nos a descrença, a falta de fé na historicidade do povo na sua possibilidade de construir um mundo junto com a elite.

Considerações Finais:
      
      O projeto MOBRAL permite-nos perceber bem a fase ditatorial pela qual passou o país. A proposta de Educação era  demandista: toda baseada em Interesses Políticos vigentes da época. Por ter de repassar o sentimento de bom comportamento para o povo e justificar os atos da ditadura, esta instituição estendeu seus braços a uma boa parte das populações carentes, através de seus diversos Programas. 
      Em 1978 o MOBRAL atendeu 2 milhões de pessoas, atingindo um total de 2.251 municípios em todo o país, porém o esforço provavelmente era para cumprir o verdadeiro objetivo de seu Presidente que desejava uma organização já estruturada e com significativa experiência a serviço da política social do governo e voltada para a efetiva promoção do homem brasileiro.


Referências: 

CORRÊA, Arlindo Lopes (ed.). Educação de massa e ação comunitária. Rio de Janeiro: AGGS/MOBRAL. 1979. 472 p.

_______. Educação permanente e educação de adultos no Brasil. Rio de Janeiro: Bloch. Ministério da Educação e Cultura/Movimento Brasileiro de Alfabetização. [197?].

CUNHA, Célio da. A pedagogia no Brasil. In: LARROYO, Francisco. História geral da pedagogia. São Paulo: Mestre Jou, 1974. Apêndice, p. 880-915.

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 5. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1975. 150 p.

_______. Pedagogia do oprimido. 3. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1975. 218 p.

FREITAG, Bárbara. Escola, estado e sociedade. 6. ed. São Paulo: Moraes. 1986. 142 p.

FURTER, Pierre. Educação permanente e desenvolvimento cultural. 2. ed. Petrópolis: Vozes. 1975. 221 p.

LIMA, Lauro de Oliveira. Estórias da educação no Brasil: de Pombal a Passarinho. 3. ed. Rio de Janeiro: Brasília. [1979]. 363 p.

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