Nise, o Coração da Loucura: Biografia e um olhar sobre a Psicologia Junguiana



Sinopse: Ao voltar a trabalhar em um hospital psiquiátrico no subúrbio do Rio de Janeiro, após sair da prisão, a doutora Nise da Silveira (Gloria Pires) propõe uma nova forma de tratamento aos pacientes que sofrem da esquizofrenia, eliminando o eletrochoque e lobotomia. Seus colegas de trabalho discordam do seu meio de tratamento e a isolam, restando a ela assumir o abandonado Setor de Terapia Ocupacional, onde dá início a uma nova forma de lidar com os pacientes, através do amor e da arte.

Resenha: Esta obra de Gênero Dramático e Biográfico é, sem dúvidas,  uma boa pincelada na vida  da extraordinária Dra. Nise da Silveira, cujo trabalho psiquiátrico inicia-se no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro, na cidade de Rio de Janeiro – RJ. Deve-se ressaltar que a biografia desse filme refere-se unicamente ao trabalho da psiquiatra na Instituição, deixando sua vida anterior (infância, adolescência, vida adulta, prisão, relação com Marx) em segundo plano. O único personagem de sua vida pessoal que aparece esporadicamente é seu marido.

Essa película teve como Direção por Roberto Berliner, Roteiro por Chris Alcazar, Flávia Castro, Leonardo Rocha, Maria Camargo, Mauricio Lissovski, Patrícia Andrade e  Roberto Berliner. Fora lançado em 24 de abril de 2016 em todo o Brasil, criando muita expectativa, especialmente para aqueles que seguem a teoria Junguiana.

A história inicia-se com a Doutora batendo à porta da Instituição Psiquiátrica “Centro Psiquiátrico Dom Pedro II” e que há uma demora no atendimento da médica; fato em que percebemos o primeiro sinal de problema de comunicação e de atuação, que veremos por todo o vídeo: a falta de Funcionários – sem mencionar o despreparo dos mesmos.
Posteriormente à sua entrada, a doutora se depara com uma palestra que enaltecem a lobotomia e o eletro-choque como elementos indispensáveis à cura e ao tratamento dos pacientes. No Centro Psiquiátrico Dom Pedro II, Nise se recusa a adotar o tratamento que se baseava em métodos violentos, como agressões físicas, eletrochoque e lobotomia. Em razão dessa recusa, a médica foi designada a ficar responsável pelo setor de Terapia Ocupacional do Hospital, até então considerado um setor de menor relevância e que na prática não funcionava.  Porém, a Doutora não se intimida e aceita a responsabilidade do local.

 

Ao tomar posse, Nise inicia a organização do lugar,  e passa a  incentivar os pacientes a ocuparem o novo espaço. Inicialmente receosos, eles chegaram aos poucos e começaram a perceber a diferença em relação ao restante da instituição. Ali encontraram tinta, papel, lápis, telas, respeito, ternura e liberdade para se expressarem.  Nise, influenciada pelos ensinamentos do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, defendia a tese de que os esquizofrênicos faziam uso da linguagem simbólica, por meio da arte, para se expressarem.

Ao longo do filme,  a Dra. Silveira leva-nos à raiva, a rir, a chorar, e a emocionar-se com uma facilidade extrema sem perder a sensibilidade e a profundidade, mostrando-nos a sua integridade de caráter e a persistência  à frente das dificuldades enfrentadas, seja, por preconceito dos outros colegas médicos, ou, por desacreditarem dos seus métodos e, até um certo grau de misoginia, por partes de alguns outros, ao tentar desqualificar suas capacidades profissionais. 

A luta de Nise da Silveira, que se iniciou na época da faculdade e se fortaleceu na década de 40 e nos anos posteriores, ganhou corpo em 1987, ano em que nasceu o Movimento da Luta Antimanicomial, durante o Encontro Nacional de Trabalhadores da Saúde Mental, na cidade de Baurú (SP).

O objetivo deste movimento foi a retirada dos pacientes com sofrimento mental de Instituições Hospitalares que não conseguiam o tratamento adequado aos mesmos. O movimento denunciava os abusos e violação de direitos humanos sofridos pelos usuários da saúde mental dentro dos manicômios,pois essas pessoas, muitas vezes, passavam por métodos violentos de tratamento, como agressões físicas, eletrochoque e lobotomia.

Uma das conquistas do movimento foi a criação da Lei 10.216/2001, que determinou o fechamento progressivo dos hospitais psiquiátricos e a instalação de serviços substitutivos. Desde então, o Brasil tem fechado leitos psiquiátricos no Sistema Único de Saúde (SUS) e abriu serviços substitutivos: como os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), as Residências Terapêuticas, Programas de Redução de Danos, Centros de Convivências, as Oficinas de Geração de Renda, dentre outros.

 

Concluímos que essa película é uma boa opção para conhecer o trabalho de Nise de Silveira tanto quanto para conhecer, de uma forma singela, como a aplicação da teoria junguiana é benéfica no tratamento psiquiátrico.

 

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